Primeira Meta

Primeira meta

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Primeiro contratempo do ano na dieta

Olá, meninas!

Hoje estou registrando meu primeiro contratempo do ano na dieta. Mas não estou arrasada.

Foi assim: eu tinha eliminado aproximadamente três quilos do dia 1º até a última segunda-feira, dia 16. Não é lá grande coisa, mas já era um progresso.

Acontece que no último sábado foi o casamento de um primo muito querido meu, que também é de minha cidade, no interior, mas mora aqui na capital. Então ao longo da semana começaram a chegar os parentes para se hospedar aqui em casa. Chegaram minha mãe, minha tia mãe do meu primo, os irmãos dele e suas respectivas esposas e esposos. Foi aquela farra aqui em casa! Eu gosto muito de todos eles e fiquei muito contente que tenham vindo, mas com visita já sabe: a comilança corre solta e não há como escapar. Aqui em Pernambuco, e sobretudo na minha família, a comida é um símbolo forte de socialização, de união e sobretudo de carinho. Se você gosta de uma pessoa, oferece comidas gostosas pra ela. E se ela recusar, é uma grande ofensa. Ai já viu, né?

Logo na segunda-feira minha mãe chegou trazendo um queijo de manteiga de todo tamanho. Queijo de manteiga é uma delícia, mas engorda mais do que um big mac. Minha mãe cozinha super bem, então já veio fazendo comidas deliciosas, todas muito engordativas. Comi tudo. Tentei me conter, mas não adiantou muito. Depois disso, cada pessoa que chegava trazia uma coisa diferente: doce, queijo, bolo, biscoitos da culinária regional, etc. Nossa mãe do céu! Alguém me socorra!

Eu comecei a ficar angustiada, estressada, sem ter como me proteger daquilo tudo. Então decidi que não valia a pena perder os bons momentos com minha família, que eu demoro tanto pra ver (já fazia anos que não via meus primos), por causa de uma única semana de RA. Não cheguei a chutar o balde, mas relaxei um pouco.

Na festa do casamento, no sábado, eu evitei comer os docinhos e salgadinhos. Consegui a proeza de só comer dois doces e um único salgado, além da fatia de bolo. Nem sequer toquei no jantar.

Mesmo assim o estrago foi grande: recuperei todo o peso perdido e vou ter que recomeçar do zero. Meus primos e minha tia foram embora ontem. Minha mãe vai embora amanhã. E eu vou ter que me recuperar do prejuízo.

É um pouco desanimador, porque eu tinha estabelecido um cronograma com pequenas metas de peso a serem atingidas, e agora perdi o esforço de três semanas. Mas o ano ainda está no começo e eu acho que será possível compensar o atraso e chegar ao peso estabelecido nas datas certas para cada meta.

E, afinal de contas, o ganho emocional de ter visto minhas pessoínhas queridas foi muito maior do que o prejuízo com o ganho de peso. Três quilos não é o fim do mundo.


Beijokas!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Voltando a acreditar


Hoje eu recebi uns honorários de uma ação que ganhei para uma cliente e comecei a pensar na minha vida. Depois de muito tempo, que eu chamaria de uma longa queda no abismo, estou começando a voltar a acreditar, a progredir. Quase que existe um sorriso nascendo no cantinho da minha boca, meio medroso, mas vindo aos poucos.

Durante muitos anos aconteceram coisas horríveis na minha vida. Perdi, num curto espaço de tempo, vários entes queridos, todos com doenças graves como câncer e similares; desisti de uma profissão que era o sonho da minha vida (e pela qual eu lutei com tudo o que tinha) mas que mostrou ser pura decepção; trabalhei por oito anos sendo explorada até o limite da dignidade; quando resolvi deixar esse trabalho e fui trabalhar com um amigo fui enganada em questões dinheiro; desfiz grandes amizades; fiquei desempregada; vi o homem que eu amava casar com outra pessoa;enfim, tudo o que tinha de acontecer de ruim aconteceu.

Parecia que a vida de todo mundo andava, menos a minha. Por mais que eu me esforçasse e botasse todas as fichas num projeto, ele sempre dava errado. Além disso, com tantos problemas na família, eu não tinha muita energia nem cabeça para lutar.

Mas a partir do ano passado as coisas começaram a mudar. Justamente no momento em que eu estava querendo recomeçar (mas, confesso, sem otimismo nenhum), dois anjos apareceram na minha vida e vestiram a camisa do meu projeto: abrir nosso próprio escritório de advocacia. Esses dois anjos hoje são meus sócios.

Nós estamos começando aos poucos, com cautela, sem dar o passo maior que a perna, mas as coisas estão andando. Os clientes estão chegando, os planos estão dando certo, estamos crescendo. Ainda não estamos ganhando um dinheiro significativo, mas qualquer coisa que entra é pra mim uma vitória tão grande que eu já me sinto como se fosse a maior advogada do mundo.

Este último ano me ensinou muitas coisas. A primeira delas é que eu não posso esperar nada de ninguém. Tudo o que eu quero eu tenho que ir buscar e trazer na unha. Eu e meus sócios damos um duro danano, por vezes trabalhamos até no domingo à noite, mas a recompensa pelo trabalho bem feito é tão grande que a gente esquece o cansaço!

Eu sempre fui uma pessoa que gostou de ajudar os outros. Não aquela ajuda pra depois se fazer de mártir ou pra cobrar o favor, mas uma ajuda assim: eu conheço muita gente e se, por exemplo, eu sei de uma amiga que está precisando de trabalho e alguém me fala de uma vaga na área dela, eu indico na mesma hora. Eu acho natural fazer isso e pensava que os outros trambém achavam. Mas percebi que não. Muitas das pessoas para quem eu tinha indicado empregos excelentes indicavam outras pessoas quando sabiam que havia vagas que seriam boas para mim.

Eu sofria muito com isso, ficava indignada, deixei de ganhar muito, mas muito dinheiro mesmo por falta de retribuição dos amigos, até que aprendi que não posso esperar nada de ninguém. Simplesmente não posso. Não posso esperar ajuda, retribuição, generosidade, solidariedade. Eu tenho simplesmente que ir atrás do que eu quero e conquistar sozinha. E não posso perder tempo ficando ressentida com isso. É bola pra frente. Nada de lamúrias, nada de indignação, nada de queixas. Mas também aprendi que não devo mais me preocupar com os outros. Infelizmente a vida vai ensinando o seu lado ruim. Preocupação agora, só com minha família e com quem já mostrou que merece. E é assim que eu estou conseguindo, aos poucos, progredir.

Pode parecer bobagem, mas as pequenas conquistas dos últimos tempos têm me feito um bem tão grande que é como se minhas baterias estivessem sendo recarregadas. São coisas tão simples, que para outras pessoas podem parecer uma bobagem, mas que para mim fazem tanta diferença! Por exemplo: desde cedo eu tive independência financeira, porque comecei a trabalhar ainda adolescente. Logo comprei carro, me sustentava sozinha, podia comprar as coisinhas de que gosto, como bolsas de grife, etc. Não dava pra esbanjar, mas dava pra ter uma vida normal. Depois que as coisas começaram a dar errado eu perdi tudo isso. Agora, com essa virada que está acontecendo, estou recuperando parte disso aos poucos. Há alguns meses minha máquina de lavar tinha quebrado e eu fiquei lavando roupa no tanque. Em dezembro último comprei uma máquina novinha, à vista. É bobagem? É. Mas foi tão bom!

Esta semana dei uma geral na minha sala: comprei luminária nova para a mesa de jantar, comprei um quadro legal, uma planta bem bonita, amanhã vou comprar uma capa nova para o sofá numa loja de tecidos pra decoração aqui do meu bairro, no fim de semana vai ser um tapete, etc. Também renovei os acessórios dos dois banheiros. São pequenas coisas, mas que me fazem muito bem! Eu curto minha casa, adoro morar sozinha, gosto de vê-la bonitinha. E fazia tempo que eu não podia ajeitá-la. Fiz até um cronograma do que quero arrumar este ano, mês a mês.

Também voltei a colocar uma graninha na poupança pra ver se este ano ainda compro um carrinho, mesmo que usado.

Enfim, estou voltando a sonhar, a acreditar em mim. Às vezes tenho até medo de sorrir e ficar feliz, como se pudesse dar tudo errado. É como se eu não tivesse direito a isso. Mas eu sei que tenho. Eu sempre lutei tanto, estudei tanto, trabalhei tanto desde os 16, fui tão correta em tudo o que fiz... Eu mereço ser feliz, eu sei que mereço. E acho que estou dando a virada.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Torna-te quem tu és! (Nietzsche)

Responda pra si mesma: quando você fecha os olhos e cria uma fantasia sobre sua vida, como você se vê? Magra, linda, no alto de um salto agulha, com um vestido de cintura marcada, todo esvoaçante? Ou vestida como uma alta executiva, podre de chique, usando grife dos pés à cabeça? Ou talvez  com um biquíni mínimo, numa praia maravilhosa, mostrando o corpão? Ou dançando na balada e arrasando? Você se vê com um cabelo maravilhoso, uma maquiagem idem, atraindo todos os olhares? Hã? Como você se vê?

Pois essa pessoa que está aí, dentro da sua cabecinha, é quem você é. Essa é realmente você, é seu eu. Então por que você está escondida aí dentro? Por que você se sufoca, em vez de se soltar?

Meu amigo Nietzsche já dizia: "Torna-te quem tu és!". Ô menino que sabia das coisas! Dessa e de muitas outras!

Vá buscar quem você é, menina! O que é que está te amarrando? Desamarre! Desimpeça, desembuche, desentupa! Tá esperando o quê? Eu já dei a partida para botar pra fora a mim mesma, a verdadeira eu. Em parte eu já consegui, mas o caminho pra chegar lá ainda é longo e, como diz o ditado, quem é coxo parte cedo. Então, vamos começar agora! Não sei que jeito você vai dar pra transbordar essa você que está aí dentro e deixá-la sair. O compromisso é seu com você mesma, não comigo. Dê seu jeito. Não arranje desculpas.

Beijossss!!!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Arrumar a casa para arrumar a mente

Fazer RA é difícil, não preciso nem dizer. A mudança de hábitos alimentares mexe com nosso estado psíquico, nos deixa instáveis, deprimidas, estressadas. Qualquer coisinha é motivo pra dar piti, pra querer desistir, chutar o balde, comer o mundo. Organizar o exterior, o local em que vivemos, é um dos principais fatores para diminuir o stress desse período de RA.

Pode parecer que uma coisa não tem nada a ver com a outra, que estou falando besteira, mas não estou: a casa e a nossa mente estão interligadas. Um lugar poluído visualmente, com tudo bagunçado, com vários objetos obstruindo o campo de visão, alteram o estado emocional de quem vive ali. A bagunça (sobretudo quando somos nós as responsáveis pela organização) fica "apitando" ininterruptamente na nossa mente, dizendo ao nosso cérebro: "há algo inacabado, há algo que precisa ser feito, há algo que requer urgência". Mesmo quando esse "apito" é inconsciente, ele está ali, causando uma sensação incômoda, desagradável. E isso aumenta o stress e o mau humor.

Eu posso falar por mim: já fui a rainha da bagunça, mesmo morando sozinha. Tinha dias em que não havia um único cômodo da minha casa arrumado. Era cama sem fazer, pratos sujos na pia, papéis pela sala, objetos espalhados na pia do banheiro. Não era sempre, claro, mas acontecia. Eu pensava assim: já que moro sozinha, posso arrumar quando quiser. Mas aquilo ficava me perturbando. Às vezes eu até fazia uma mega faxina, mas dentro de uma semana a bagunça já reinava novamente.

Mas isso acabou. Eu entendi que, se não tivesse disciplina para manter minha casa arrumada, como teria disciplina para a minha vida em geral? E como teria disciplina para fazer minha RA? Essa mudança, confesso, foi recente, tem poucos meses. Mas não foi nada difícil e agora está cristalizada. E como eu consegui isso? Primeiro, com planejamento. Segundo, dividindo o trabalho em etapas. Terceiro, entendendo que a manutenção é diária, não quando minha preguiça permitir.

Explico. A primeira coisa que fiz foi me desfazer de tudo o que eu não precisava. Tudo o que era quinquilharia, papelada, roupa velha, objetos sem utilidade, foi pro lixo. Mas foi sem dó nem piedade. Até as coisas que eu tinha dúvida se precisaria ou não também foram incluídas nesse bota-fora. Mandamento inicial: menos é mais. A gente tem que viver com leveza, sem supérfluos, sem apego a bobagens, só com o essencial.

A segunda etapa foi a de observar o que ficou e providenciar um lugar para cada coisa. Anotei num papel quantos organizadores precisava comprar e para quê, quantas caixas, quantos gaveteiros. Eu notei que uma parte da bagunça acontecia porque as coisas não tinham um lugar adequado onde ser guardadas, então ficavam zanzando pela casa. Terminei por comprar um armário para a área de serviço que cabia tudo, em vez dos vários moveizinhos que havia lá, também comprei pastas específicas para cada tipo de papel que guardo (contas pagas, contas a pagar, correspondências, etc.), caixas (para fotos, materiais para trabalhos manuais, etc.), cabides que coubessem TODAS as bolsas, uma estante extra para livros (tenho centenas deles), organizadores de gavetas, etc.

Providenciado um lugar para cada coisa, era hora de colocar cada coisa em seu lugar. Essa etapa foi feita com calma, um cômodo por dia ou o tempo que fosse necessário. Mas foi a parte mais prazerosa, confesso. É uma delícia abrir o guarda-roupas, botar tudo pra fora, limpar e guardar tudo novamente, arrumadinho. É ótimo organizar os livros, rever as fotos, colocar os objetos em caixinhas. À medida que a gente vai fazendo isso, a mente vai sentindo uma sensação agradável, como se esta fosse uma atividade lúdica.

Depois que a arrumação acabou, foi a hora de mudar de atitude. Nada de chegar em casa, jogar um sapato para um lado, outro para o outro, a bolsa em cima da mesa, pendurar o casaco nas costas da cadeira. Não! Agora chego em casa, passo direto para o quarto e já vou colocando cada coisa em seu devido lugar. Assim não preciso me preocupar em recolher nada depois. Assim que termino de comer, lavo logo os pratos. Não deixo pra depois. E os papéis vão para suas caixinhas assim que são usados.

Não é difícil, é só uma questão de vontade. Há, inclusive, vários blogs sobre organização que podem ajudar a quem quer manter a casa sob controle, com dicas valiosas e práticas. Eu tenho várias amigas, inclusive casadas e com filhos pequenos, que conseguiram se organizar depois de começar a seguir esses blogs.

Organizada a casa, a mente se organiza. A vida fica mais calma, mais leve, e fica muito mais fácil fazer a RA, que é nosso objetivo principal.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

RA assassina a vida social

Não tem jeito: é começar a RA e fazer logo uma vítima: a vida social. Sim, porque apesar dos meus quase 145kg eu tenho vida social. Eu saio com amigos, e não é pouco. Toda semana tem cinema, tem um grupo de leitura do qual eu participo, tem saída às sextas e sábados, tem sempre um almoço ou um jantar com alguém e ainda, de vez em quando, reuniãozinha da galera aqui em casa ou na casa de alguém.

Esses encontros, lógico, são movidos a comida e bebida. Mesmo no cinema a gente está beliscando. O grupo de leitura sempre termina com jantar (porque acaba depois das sete da noite). E nas saídas de fim de semana, lógico, rolam refeições inteiras. Aliás, a comida sempre foi um importante fator de socialização.

E aí quando começa a RA começa aquele inferno: pra determinados lugares não dá pra ir porque não tem opções de cardápio light. Pra outros dá pra ir, mas aí eu tenho que pedir a comida separadamente da dos meus amigos. É chato, né?

Ontem, domingo, por exemplo. Eu ia ficar em casa o dia inteiro, mas aí uns amigos me ligaram marcando um encontrão no café da Livraria Cultura. Fui. Chegando lá todo mundo pediu seus capuccinos, seus chocolates quentes, etc. Lá fui eu olhar o menu. Acredita que o maldito café não tinha uma única bebida que não contenha milhões de calorias? Aliás, minto, tinha duas: ice tea (mas estava em falta) e suco de caixinha. Poxa! Sair com os amigos pra beber suco de caixinha é dose, né? Fiquei na água com gás, xingando o mundo. Depois saímos pra outro lugar pra tomar uma sopa.

Meus amigos me dão super apoio pra que eu faça a RA, porque eles lembram de mim como eu era, linda, com zilhões de quilos a menos. Mas acontece que, embora o apoio deles seja total, eu começo a me tornar uma pessoa chata, né? Eles vão ter que pensar duas vezes antes de me chamar pra sair ou, o que é pior, vão ter que limitar os lugares aonde vão por minha causa. E o resultado disso é que vão acabar saindo sem me chamar. É o fim da vida social que eu prezo tanto!

Esse é realmente um problema com o qual eu ainda não aprendi a lidar. Não vou desistir da RA por isso, lógico, porque emagrecer é um objetivo maior, mas preciso ter muito jogo de cintura para não me tornar um estorvo para os outros.

Se fosse apenas uma única saída por semana não teria problema: eu abusaria um pouquinho e descontaria o erro no restante dos dias. Mas acontece que eu saio quatro, cinco vezes por semana, com grupos diferentes, e eu não quero abrir mão disso. Eu moro sozinha e gosto de movimento, gosto de ver meus amigos, gosto de estar no meio do mundo. Preciso contar com a compreensão deles, e espero que esta dure.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Todas as Vidas (Cora Coralina)

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
– Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Só por hoje

Uma das maiores dificuldades que encontro quando começo a fazer RA é pensar a longo prazo. Bate um desespero e até mesmo uma preguiça quando penso que terei que enfrentar a fome e manter a força de vontade por meses, talvez até por anos!... Penso logo nas coisas gostosas que estou deixando de comer, no quanto terei que mudar minha alimentação, no esforço que terei que fazer.

Estive pensando numa solução: quando bater o pessimismo, a vontade de desistir, a falta de motivação, vou adotar uma estratégia utilizada pelos Alcoólicos Anônimos, a do "só por hoje".

Significa que, no momento de crise, não devemos pensar a longo prazo, mas apenas no dia de hoje. Quando bater aquele desespero, aquela vontade de jogar tudo pro alto, de enfiar o pé na jaca e comer tudo o que não se deve de uma vez, devemos respirar fundo e trazer à mente a atitude: "só por hoje vou segurar essa vontade, só por hoje vou me alimentar corretamente, só por hoje não vou comer besteira, só por hoje vou fazer tudo certo para meu emagrecimento".

Assim, pensando num período de apenas 24 horas (e realmente sem pensar mais à frente) fica mais fácil manter a disciplina.  Essa estratégia pode ser de grande ajuda nos momentos mais difíceis. E a sensação de dever cumprido é compensadora. Topa adotar essa atitude junto comigo?

Mas atenção: o contrário não vale! Não pode dizer: só por hoje vou comer esse brigadeiro! kkkkk Nem tente ser sabidinha e enganar a si própria, hein, mocinha?

domingo, 1 de janeiro de 2012

A proposta do blog mudou



Quando comecei a escrever este blog, no ano passado, a proposta era apenas escrever sobre meu processo de emagrecimento, sobre dieta, pesagens, dificuldades, vitórias, etc. Enfim, tudo o que se referisse a meu peso.

Mas, convenhamos, ninguém é só dieta. Minha vida é mais que isso: eu trabalho, tenho outros interesses além de emagrecer, tenho outras atividades, tenho uma vida inteira além deste único assunto. E essa vida que tenho é o que sou. Em alguns dias, sou sol; em outros, sou chuva; em outros ainda, sou arco-íris. Se eu não sou monotemática, por que meu blog deveria ser? Os acontecimentos da minha vida influenciam na minha dieta, e, além disso, realmente quero falar sobre outros assuntos.

Então resolvi duas coisas: primeiro, apagar os posts anteriores e recomeçar. Segundo, mudar a proposta do blog. O mote vai continuar sendo a dieta, mas também vou falar sobre mim, sobre meus gostos, os acontecimentos da minha vida, o que eu penso, o que eu faço. Também vou simplesmente divagar, escrever qualquer coisa que vá pela minha cabeça no momento. Acho que assim fica mais fácil entender o que se passa comigo ao longo do tempo e como isso tudo influencia no meu peso.

Espero que vocês não se desinteressem de mim e que possamos continuar aqui, juntinhas e na luta!


 
Beijocas!!!

Cântico da Estrada Aberta (trechos)

A pé, coração alegre, sigo em direção da estrada aberta,
Sadio, livre, o mundo a minha frente,
O longo caminho marrom a minha frente conduz-me para onde acho que convém.
Daqui para a frente, não mais me queixarei, não mais adiarei, nada mais necessitarei,
Porei fim às lamentações interiores, bibliotecas, críticas lamurientas.
Forte e contente, sigo em direção da estrada aberta.
A terra é suficiente para mim.
Não desejo que as constelações estejam próximas,
Sei que elas estão muito bem onde se situam,
Sei que elas bastam aos que lhes pertencem.
(...)

Desta hora em diante, ordeno a mim mesmo que me liberte de limites e linhas imaginárias,
E, como meu próprio senhor total e absoluto, caminharei para onde eu quiser,
Ouvindo os outros, considerando bem o que eles dizem,
Parando, investigando, recebendo, contemplando,
Gentilmente, porém com irrecusável vontade,
Despindo-me dos embaraços que me poderiam entravar.
Sorvo grandes tragos de espaço,
O leste e o oeste são meus, o norte e o sul também me pertencem.

Sou mais extenso, melhor mesmo do que pensava.
Não sabia que em mim havia tanta bondade.

(Walt Whitman)

Amigas queridas! Estou de volta para, junto com vocês, encarar mais um ano de lutas e de realizações. Estou aprendendo com a vida que a única maneira de alcançar meus sonhos é ir buscá-los eu mesma. De agora em diante não há mais espaço para espera: meu destino sou eu quem faz. Por isso, deixei para vocês, acima, alguns trechos do lindíssimo poema "Cântico da Estrada Aberta", do maravilhoso Walt Whitman. Espero que, como fez comigo, esse poema sirva para motivar vocês. Que em 2012 nós tomemos nossas vidas nas mãos. Beijos a todas!